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| O Homem que Passeia - Jiro Taniguchi |
Senti uma urgência gigantesca de escrever este texto exatamente agora. O motivo, é claro, foi uma música que começou a tocar no meu fone.
Estou me referindo a I Love You, do The Velvet Underground. Essa música é linda. Sinto uma paixão difícil de explicar ao ouvi-la. Uma paixão que eu nem sei de onde vem; talvez venha da própria vida. Estou amando viver, e fico muito feliz por conseguir pensar assim neste momento.
Indo um pouco mais direto ao ponto, e contando sobre o dia em que percebi que essa música havia me marcado, aconteceu o seguinte: eu estava indo ao cinema, ao meu maior refúgio, meu lugar preferido deste ovo que chamamos de Goiânia: o Cine Cultura.
O ponto é que eu havia marcado de sair com uma garota (espaço dedicado ao texto que vou escrever sobre ela em algum momento cujo link será inserido aqui) e levei um bolo bem bonito. Infelizmente, não foi no sentido literal, porque eu tava brocadíssimo. Foi um bolo desacreditado, porém esperado, dado o nosso histórico.
No fim, acabei aproveitando demais o filme. Era a última sessão de If I Had Legs I’d Kick You, um filme incrivelmente incrível, sobre o qual provavelmente vou acabar falando mais em algum momento, como faço no letterboxd.
Depois da sessão, tive uma caminhada gostosinha demais da conta até a minha casa. Lembro que o clima estava bem agradável. Fiz questão de desviar o caminho várias vezes, o que acabou me levando a alguns lugares que, em algum momento da minha vida, deixaram uma marca em mim.
Havia o quintal que, no dia em que vi O Iluminado no Cine Cultura, aparentava ser um terreno baldio por causa da escuridão, mas que, na verdade, era o quintal da Associação Goiânia de Escritores, lugar querido onde me encontrei pela primeira vez com meu genial conterrâneo Hélverton Baiano. Esse quintal tinha várias pinturas com frases lindas, provavelmente de escritores goianos. Fiquei pelo menos uns cinco minutos parado do lado de fora da grade, apreciando aquela vista enquanto ouvia alguma música da minha playlist de fevereiro.
Outro momento absurdamente marcante daquele dia foi passar pela pracinha que fica ao lado do Ambiente. O tempo estava se fechando enquanto Jupiter Apple atravessava meu fone com uma de suas alucinações mal resolvidas em tom sinergicamente alegre: Beatle George. Como eu amo essa música e a energia que ela traz para dentro de mim.
O ponto é que, naquele momento, havia um senhor gari varrendo a calçada com um colega de trabalho, ambos num humor péssimo. Assim que ele conseguiu juntar um montinho de folhas, o tempo fechado trouxe um sopro de Schadenfreude para a vida daqueles senhores. Eu amo Beatle George e palavras sintetizantes.
Esse sopro nada mais era do que uma felicidade dissimulada na vida proletária daqueles homens. Imagine o vento levando todas as folhas que eles tinham acabado de juntar, enquanto ambos caíam no chão de tanto rir. Foi um momento bonito de presenciar. Um desses momentos que fazem a vida parecer mais simples por alguns instantes.
Obrigado, Jupiter Apple, por ser a trilha sonora perfeita desse momento.
O sono está me pegando agora, então vou simplesmente parar de escrever de forma súbita e deixar para falar mais sobre qualquer baboseira outro dia, para o caso de
